Princípios Pedagógicos

Aprendizado

 

Concepção de Aprendizagem

É porque podemos transformar o mundo, que estamos com ele e com outros. Não teríamos ultrapassado o nível de pura adaptação ao mundo se não tivéssemos alcançado a possibilidade de, pensando a própria adaptação, nos servir dela para programar a transformação. (Paulo Freire)

A aprendizagem é um processo social que se realiza por meio das possibilidades criadas pelas mediações do sujeito nos diversos contextos sócio-histórico de que faz parte.

Considera-se o desenvolvimento do processo de aprendizagem, como um processo, no qual o ser humano se apropria da experiência cultural e social produzida e elaborada historicamente pelo homem.

O sentido histórico dos conteúdos se manifesta pela busca de se explicitar como a prática social das gerações passadas e das gerações presentes interveio e intervém na determinação dos conteúdos atuais, bem como na produção de novos conhecimentos para o avanço da ciência e para o progresso social da humanidade.

Para que o aprendizado ocorra de fato, há necessidade de que o conteúdo ministrado ao aluno tenha significado e que esse conteúdo possa criar novos conhecimentos como fontes futuras de significados, em um processo contínuo e dinâmico.

Os significados e sentidos que são construídos pelos alunos, é resultado de uma interação de vários elementos, entre os quais está o aluno, o conteúdo, o professor, a realidade social em que o aluno vive, bem como, os mecanismos e instrumentos utilizados para a aprendizagem.

O aluno é elemento ativo na construção de seu conhecimento, através do contato com o conteúdo e da sua interação feita no grupo, transpondo o conhecimento adquirido para a resolução de problemas do seu cotidiano. O conteúdo favorece a apropriação de conhecimentos, despertando no aluno reflexão e a análise crítica sobre o mundo que o cerca. O papel do professor nesse processo é de agente responsável pela mediação da construção de significados e sentidos da aprendizagem, segundo os conteúdos desenvolvidos na escola.

A construção de significados e sentidos é concebida como um aspecto privilegiado no processo de construção da aprendizagem. Esse processo é favorecido pela comunicação interpessoal seguido da construção da subjetividade. Estes processos são fortemente impregnados e orientados pelas formas culturais existentes, sofrendo constantemente modificações.

Ao se tratar do desenvolvimento da aprendizagem, Vigotsky define dois níveis: o real e o potencial. O nível de desenvolvimento real é a capacidade dos sujeitos solucionarem seus problemas. Dito de outra forma, o nível de desenvolvimento real define as funções que já amadureceram e o nível de desenvolvimento potencial define as funções que possuem as bases necessárias para serem desenvolvidas.

Esse processo define o que Vigotsky chama de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é o nível de desenvolvimento potencial determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes.

Como a criação da ZDP é dinâmica e ocorre em um meio social com mediação de símbolos, uma mesma pessoa pode possuir vários níveis de ZDP, de acordo com as pessoas com quem irá se relacionar, os signos utilizados por ela e a forma de atuação, sendo possível a existência em um mesmo indivíduo de várias ZDP.

Além disso, cada nova criação desses níveis poderá gerar novas conexões, alimentando novos desenvolvimentos potenciais e reais, permitindo novos avanços do indivíduo em níveis superiores do desenvolvimento.

Para Vigotsky o elo central da aprendizagem está na formação dos conceitos. Para ele existem dois conceitos fundamentais para a construção da aprendizagem, os conceitos cotidianos aprendidos espontaneamente a partir da relação das crianças com o cotidiano, e os científicos construídos a partir de situações formais de aprendizagem. A tomada de consciência eleva o pensamento em níveis abstratos e generalizados.

Nesse sentido, o professor é quem atua estimulando, incentivando e elaborando atividades que desafiam a tomada de decisão pelo aluno, decisões essas que agem na ZDP; o professor deverá adequar metodologias e recursos para que o objetivo do aprendizado seja atingido, pois é ele o responsável pela aprendizagem do aluno, sempre em um clima de respeito mútuo e colaboração; a atividade deve propiciar a criação de sentidos para o conteúdo ministrado.

A relação afetivo-emocional também é um fator importante a ser considerado e, para isso, o professor deverá estar atento às diferenças individuais e às necessidades de cada aluno em particular, além de proporcionar o contato, a integração e a interação entre os participantes e seus conhecimentos.

Para tanto, há necessidade de um planejamento criterioso de conteúdos, de objetivos, bem como de estratégias de ensino, de pesquisas e elaborações de novos conhecimentos e que estes ultrapassem o conhecimento empírico, o conhecimento do senso comum, para um conhecimento mais científico, mais elaborado e significativo, condizente com a prática social do aluno.

Faz-se necessário também, que esse planejamento seja do conhecimento do aluno, que ele sinta-se responsável pela sua aprendizagem e sinta-se também co-responsável pela aprendizagem do colega, ou seja, do grupo em que faz parte.

Além disso, o professor deverá avaliar constantemente o planejamento, sua prática pedagógica, seus objetivos, as metodologias empregadas, a apropriação de conceitos e conhecimentos elaborados pelos alunos no decorrer do processo de ensino-aprendizagem e sempre que necessário introduzir modificações conforme as necessidades levantadas nessa avaliação.

Enfim, aprender é um processo contínuo, de constante elaboração, reelaboração, ressignificação, que inicia desde que o indivíduo nasce e se estende por toda a vida. O conhecimento é relevante para a vida, para a compreensão e ampliação do próprio conhecimento sobre a realidade, fazendo uso do conhecimento intelectual para enfrentar às diversas situações encontradas na prática cotidiana, na escola e na sociedade.

Aluno

Concepção de aluno

Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser. (Louis Pasteur).

O aluno como todo ser humano, é um ser social e histórico.

É profundamente marcado pelo meio social em que vive, mas também o marca, pois traz em sua subjetividade conhecimentos empíricos, científicos e interpessoais que possibilitam a interação do aluno com a sua realidade. O aluno tem na família, biológica ou não, um ponto de referência fundamental, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais.

As relações sociais formam o contexto de desenvolvimento dos alunos e constituem a sua própria natureza. Vygotsky em seus estudos considerou o aluno como um indivíduo social, cujas relações sociais constituem a sua psicologia, a sua subjetividade, desde o início de sua vida. Para Vigostsky o ser humano estabelece seu processo de humanização a partir das relações sociais.

No processo de construção do conhecimento, os alunos se utilizam as mais diferentes linguagens, exercendo a capacidade que possuem de terem ideias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nesse sentido, desempenham um papel importante na formulação de seu próprio conhecimento. Nessa perspectiva, o conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação.

A relação do aluno com o professor na escola, é uma relação peculiar, no sentido do professor assumir uma tarefa e um compromisso específico com o aluno, em transformar o conhecimento empírico, o conhecimento da sua experiência do dia a dia, num conhecimento elaborado, compreendendo a trajetória que realiza na constituição de saberes, oferecendo a ele domínio de ferramentas específicas para poder compreender, intervir e transformar o mundo que o cerca.

A função que a escola assume no desenvolvimento do aluno, é de expandir seus conhecimentos, modificar sua relação cognitiva com o mundo, para que o aluno possa agir e interagir com esse saber, atuando de forma crítica tanto nas instâncias sociais, quanto políticas e econômicas.

Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular de ser de cada aluno, sua realidade, seus anseios, desejos e cultura propriamente dita, é o grande desafio da educação, da escola e de seus profissionais.

Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo humano, apontando algumas características comuns de ser dos alunos, eles permanecem únicos em suas individualidades e diferenças.

Didática

Princípios Didáticos – Pedagógicos

  • A escola é fundamentada no princípio de proporcionar ao aluno a aquisição de instrumentos que possibilitem o acesso ao saber elaborado;
  • Oportunizar o acesso ao conhecimento elaborado, assegurando à criança o direito e as condições para permanência na escola;
  • Os conteúdos desenvolvidos devem ser previstos para um determinado período, sem que isto signifique uma abordagem única, pois a reincidência na abordagem de um conceito, sob várias situações, possibilita a aquisição cada vez mais ampliada e elaborada pelo aluno;
  • O professor deve propiciar diferentes formas de interação do aluno com o conhecimento, considerando as diferentes estratégias para que ocorra a aprendizagem;
  • O planejamento geral deve ser um roteiro de orientação, com o qual o professor deve manter constante diálogo, rediscutindo em que medida há necessidade de se estudar mais, propor conteúdos ainda não trabalhados, realizando a integração dos mesmos, ou que necessitem ser revistos;
  • O planejamento periódico deve partir de um planejamento anual que contemple todos os conteúdos de cada área, desenvolvendo-os de forma integrada, ou seja, estabelecendo relação entre um conteúdo e outro, de forma interdisciplinar e transdisciplinar, proporcionando ao aluno uma aprendizagem significativa e não fragmentada;
  • Após selecionar os conteúdos para um determinado período, o professor deverá organizar materiais que subsidiem seu estudo, bem como os materiais necessários para uso em sala;
  • As atividades, estratégias, materiais, que possibilitem um tratamento didático adequado aos conteúdos, devem ser previstos minuciosamente;
  • O trabalho desenvolvido na educação infantil deve ser um ambiente alfabetizador, onde as crianças desde muito cedo, possam construir e testar as hipóteses da linguagem escrita;
  • A Educação Infantil é considerada como um espaço de construção de conhecimentos;
  • A relação entre o professor e o aluno, não deve ser uma relação autoritária por parte do professor que detém o conhecimento, mas deve ser uma atitude criativa de quem detém o conhecimento formal, mas possibilita a formulação deste conhecimentos por parte dos alunos;
  • O professor deve prever a maneira de iniciar cada trabalho, de forma a explicitar a necessidade social daquele conhecimento, atraindo a criança de modo que ela venha curiosa, alegre e disposta a participar;
  • É importante que o professor compreenda o processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança para poder adequar o se método às possibilidades reais de compreensão e construção de conhecimentos que a criança apresenta em cada período do seu processo de escolarização;
  • O norte do processo é o conhecimento mais avançado e elaborado que o professor detém; Porém não deve excluir o conhecimento que a criança traz, mas conduzir, mediar e orientar inserção da criança com o conhecimento através de diálogo vivo e dinâmico em sala de aula;
  • Deve-se respeitar os direitos individuais da criança, garantindo a segurança, a liberdade, a dignidade, a conveniência, a aquisição de novos conhecimentos, preservando suas características etárias e o direito de ser respeitada por seus educadores;
  • Respeitar a diversidade de expressões culturais, valorizando o processo democrático, o lugar de onde procede a criança, sem qualquer tipo de discriminação racial, sexual, religiosa, regional ou de características humanas diferenciadas;
  • Criar condições para a integração social, incentivando atitudes positivas em relação à si mesmo, às pessoas, à natureza, à vivência de situações favoráveis, para atuar sobre a realidade circundante, com valorização do trabalho cooperativo, possibilitando a divisão de responsabilidade, conhecedor da função e do desenvolvimento da solidariedade humana;
  • A avaliação do desenvolvimento da aprendizagem será diagnóstica, cumulativa e processual, cujo objetivo será de acompanhar o processo de aprendizagem, de forma qualitativa, realizando as interferências necessárias para que o aluno se aproprie do saber elaborado, revendo e analisando constantemente a prática pedagógica, proporcionando mudanças de planejamento, metodologia e encaminhamentos sempre que necessário;
  • Acompanhar o processo de aprendizagem dos alunos realizando formas de avaliação, que considere o aluno em sua totalidade, ou seja, nos aspectos sociais, cognitivos, emocionais e físicos.

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